Sócrates ebook
julho 20th, 2008 | Filed under Dicas.Adicionado ebook de Sócrates, maior dos filósofos atenienses. Filho de uma parteira, deu à sua dialética o nome de “maiêutica“, arte de partejar, em grego. O Método Socrático consiste em fazer ao interlocutor uma série de perguntas, levando-o, por indução, a descobrir verdades que traz dentro de si, ou seja, fazê-lo parir as suas idéias. Acusado de não reconhecer os deuses do Estado, introduzir novas divindades e corromper a juventude, foi condenado à morte, por envenenamento. Nunca escreveu nada. A principal fonte de informações a seu respeito é encontrada na Memorabilia, de Xenofonte, e nos Diálogos, de Platão, em cuja obra, Defesa de Sócrates, está registrado este discurso.
Trecho:
Alguém, talvez, pergunte: “Não te pejas, ó Sócrates, de te haveres dedicado a uma ocupação que te põe agora em risco de morrer?” Eu lhe daria esta resposta justa: “Estás enganado, homem, se pensas que um varão de algum préstimo deve pesar as possibilidades de vida e morte em vez de considerar apenas este aspecto de seus atos: se o que faz é justo ou injusto, de homem de brio ou de covarde. No teu entender, não teriam méritos os semideuses que pereceram em Tróia; entre eles o filho de Tétis, que desdenhava tanto o perigo em confronto como o passar por uma vergonha. Querendo ele matar a Heitor, sua mãe, uma deusa, lhe disse parece que mais ou menos estas palavras: “Filho, se matares a Heitor para vingar a morte de teu amigo Pátroclo, tu próprio morrerás; pois, dizia ela, o teu destino te espera logo depois de Heitor.” Ele, apesar de ouvir a advertência, fez pouco caso do perigo de morte e, porque temia muito mais viver com desonra, respondeu: “Morra eu assim que castigue o culpado, mas não fique por aqui, alvo de risos junto das curvas naus, como um fardo da terra.” Cuidas que ele se preocupou com o perigo de morte? A verdade, atenienses, é esta: quando a gente toma uma posição, seja por a considerar a melhor, seja porque tal foi a ordem do comandante, aí, na minha opinião, deve permanecer diante dos perigos, sem pesar o risco de morte ou qualquer outro, salvo o da desonra. [...]

